quarta-feira, 28 de maio de 2008

Meu vinho? você!

Nestes dias vi um vinho muito bom e de bom preço no supermercado quando fazia compras. Comprei.

Ao chegar em casa deparei com a realidade: o que vou fazer com uma deliciosa garrafa de um bom vinho Malbec que comprei, sem a tua presença, sem os teu lábios, sem tuas mãos na garrafa, seus dedos entre as taças, seu sorriso, sem suas bochechas rosadas e risadas na altura diretamente proporcional à quantidade de vinho que toma?

Seus olhos que ao mesmo tempo que vão se fechando, vão também acompanhando aos delírios de seus pensamentos e desejos, às mãos que já não só se ocupam com as taças mas estão em busca das profundezas e rigidez em nossos corpos?

Seus beijos regados à vinho e sua boca hidratando partes inteiras do corpo com o prazer gelado e ácido das vinícolas argentinas?

Quem me dera ser a taça de seus lábios e beijos. Alvo de seus delírios e desejos. A cama de seu porre!

Como gostaria de partilhar este vinho como a minha vida, como meu sangue, meus desejos e meus sonhos com suas delícias, suas palavras, sua companhia, seus olhos, suas mãos e seu corpo.

Dançarmos um balé frenético em movimentos cambaleante e em sentidos opostos, com um mesmo objetivo: a satisfação e o êxtase de uma relação alegre, gostosa e ejaculante.

Os sonhos mais ocultos de nosso inconsciente, desfrutamos junto à alguém que conhecemos seu aroma, seu buquê, sua densidade, seu corpo, seus líquidos e sólidos internos e externos, um aroma que nos estimulem à vida, ao sonhos, às satistações delirantes e estonteantes das delícias conseguentes da remoção de rolhas que nos prendem e nos preservam à pessoa certa, na hora certa, para um brinde de uma safra muito especial.... você!

Você: a razão, o corpo e alma de meu vinho, da minha vida e meus prazeres, de minha alma, espírito e morte...

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